domingo, 28 de agosto de 2016

GARIMPANDO MEMÓRIAS ESQUECIDAS: A FESTA DO MINERADOR

Mineradores posam para foto no dia da festa que os homenageava.
Por Rafael Rubens


Era o ao de 2010. O mês de maio transcorria com a calmaria típica dos interiores, e a cidade já imaginava as atrações que viriam para o João Pedro, uma vez que julho  se aproximava. Passados os eventos da Semana Santa, todos começavam a respirar ares verde-e-amarelo com a Copa do Mundo da África, que começaria em 11 de junho e terminaria em 11 de julho daquele ano. A cidade já se enfeitava, as pessoas já se preparavam para festejar com os jogos da Copa e emendar os festejos com as atrações de João Pedro, pois já fazia parte da tradição a coincidência de a final da copa ocorrer no domingo da festa.
     Foi quando surgiu um evento novo para surpreender o calendário do pequeno município então com aproximadamente dois mil e seiscentos habitantes: a Festa do Minerador, que ocorreria no último final de semana de maio. Ora, Várzea sendo um grande produtor de rochas ornamentais (granito, caulim, quartzito etc), a ideia natural era reconhecer a importância do trabalho dos mineradores, que tanto contribuíam com o desenvolvimento da cidade.
Assim foi feito: com 100 mil reais de custeio advindos do Ministério do Turismo, a festa ganhou força e saiu do papel e entre os dias 29 e 30 de maio foram organizados diversos momentos, dentre os quais palestras técnicas do setor mineral realizadas no auditório do Centro de Referência da Assistência Social e exposição de estandes de produtos quartzíticos na praça de eventos do Parque do Juazeiro. Quanto às atrações musicais que fizeram a festa, a programação foi a seguinte: na noite de sábado, 29 de maio, tocaram as bandas Forró Pancada Federal; Banda Perfil; Banda Telengo Tengo e a dupla Genildo e Ginaldo. No domingo, 30 de maio, o Parque do Juazeiro comportou a Banda Flor da Pele; Forrozão Baby Mel; Pinto do Arcodeon e Valdonis do Acordeon, que contagiou todos os nacionalistas e torcedores da seleção naquela noite quando tocou o hino nacional na sanfona.
Ao final da festa, todos estavam muito satisfeitos. Os mineradores sentindo-se felizes e homenageados. O prefeito, radiante, afirmando que “mineradores de Várzea mereciam uma festa para homenagear o trabalho e o impulso econômico que dão à cidade”. A população era só alegria pela festa inédita, afinal, mais um evento festivo comporia o calendário da cidade e a deixaria ainda mais feliz com muito forró e animação. A festa do minerador foi a melhor surpresa do ano, porque, aos olhos de todos, se tornaria uma prévia do João Pedro ao lado das quadrilhas de rua.
Mas depois vieram os anos seguintes, e a festa nunca se realizou novamente, frustrando as expectativas de muita gente. Filha única, a Festa do Minerador 2010, ficou sendo mais um daqueles eventos que só acontecem uma vez para figurar na memória de uma população, cuja história se encomprida a cada dia, entre retratos passados, instantes presentes e saudades futuras.

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